José Rabaça Gaspar

zeraga... em viagem... como os RIOS que correm sempre para A MAR...

Diário
13/11/2009 17h01
1001 estórias d'encantar - Serpa Tradiçao 0001
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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
I "O compadre Bernardo"
Por António ALEXANDRINO
In Tradição I vol. Anno I, Nº 2, Fevereiro de 1899, Série I, pp. 29 e 30
(da Tradição oral - Brinches)

Serpa Tradição Vol. I
 
O COMPADRE BERNARDO e a COMADRE MORTE
(Digitalizado por joraga, para Alma Alentejana - Área Cultural)

(Ver tb Beira Baixa Adolfo Coelho)
(Beira Baixa) Adolfo Coelho - in Contos Populares Portugueses
 Contar estórias em família
I "O compadre Bernardo e a Comadre Morte"
Por António ALEXANDRINO
In Tradição I vol. Anno I, Nº 2, Fevereiro de 1899, Série I, pp. 29 e 30
(da Tradição oral - Brinches)
 
«Havia, numa aldeia que não era muito grande, um casal com tantos filhos que já tinham convidado todas as pessoas para padrinho de algum deles…
Mas o chefe do casal, que se chamava Bernardo, tinha uma regra: não podia ter como compadre ou comadre alguém por duas vezes…
E tiveram mais uma menina que era preciso baptizar…
Deitou-se Bernardo ao caminho disposto a convidar a primeira mulher que encontrasse no caminho, mesmo desconhecida, e não fosse madrinha de nenhuma outra irmã…
Já ao terceiro dia de jornada, encontrou no meio de uma charneca donde só se via mato e céu, uma velha, muito velha desconhecida:
- Atão para onde anda perdido, irmão?
- Não ando perdido… ando à procura duma madrinha para a minha filha…
- Se não quiser ir mais longe, eu ofereço-me… mas é melhor saber o eu nome, para poder decidir, caso queira escolher outra… eu sou a Morte. Se aceitar lá estarei de hoje a oito dias para a baptiso… e logo lhe deu um taleigo de dinheiro para as primeiras despesas…
Ia dizer… mas com o taleigo nas mãos, chegou a casa e logo a mulher:
- Atão encontraste madrinha…
- Encontrei. Chama-se Morte!!!
A mulher ia a dizer… mas quando viu o taleigo: Oh, até podemos andar uns tempos sem trabalhar!!! E aceitaram…
Chegou o dia aprazado. A Morte compareceu e de volta do caminho da igreja, a comadre chamou o compadre de lado e completou o presente:
- Não tenha o compadre Bernardo grande cuidado que até pode fazer de médico… Sempre que for chamado para um doente, eu lá estarei… e se me vir ao fundo da cama, pode receitar o que quiser que a pessoa não morre…
E assim foi… e a fama do compadre Bernardo correu mundo… até chegar aos ouvidos do rei que tinha uma filha muito doente… Nenhum dos físicos chamados, nem os mais afamados davam com a cura… um conselheiro do rei que já tivera uma filha com a doença da princesa e chamara o compadre Bernardo recomendou-lho.
O compadre Bernardo compareceu e, mal entrou, ficou aterrado e desmorecido (caiu-lhe a balsa em baixo…): a comadre Morte estava presente e estava à cabeceira da cama da princesa…
De repente teve uma ideia: Pediu aos criados que virassem a cama às avessas… e a princesa ficou curada…
A comadre Morte foi atrás dele e ameaçou: Isso não te ensinei eu. Mais uma esperteza e tu serás o próximo…
Ele bem jurou que não repetiria, mas a ameaça ficou a pairar…
Chegou a casa, contou tudo à mulher… despediu-se e foi-se disfarçar:
- Se a comadre Morte por aqui passar diz que não sabes de mim há mais de três dias e que fui para fora…
Andou disfarçado por todo o lado e um dia até andou na retouça com a rapaziada nova no meio do largo da igreja… apareceu a comadre e perguntou à rapaziada:
- Ó rapaziada, não viram por aqui o meu compadre Bernardo?
E logo ele muito confiado no disfarce:
- Vimos, vimos… era aquele rapazola que deitou a fugir logo que a comadre apareceu…
- AH sim?! É o mesmo. Como não está aqui o meu compadre Bernardo, levo aqui este velho pelado!!!»
Compadre Bernardo e Comadre Morte
ver tb versão brasileira in Jangada Brasil
 


Publicado por zeraga em 13/11/2009 às 17h01
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11/11/2009 18h07
São Martinho - Lenda do Verão SM
São Martinho 11 de Novembro de 2009

LENDA DO VERÃO DE S. MARTINHO

(para explicar o Verão de S. Martinho, recolhida num livro da Escola Primária):

Num dia tempestuoso ia S. Martinho, valoroso soldado, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio que lhe estendia a mão suplicante e gelada.

S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo.

E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade.

Mas subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de estio inundou a terra de luz e calor.

Diz-se que Deus, para que se não apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a bênção dum sol quente e miraculoso.


Ver: http://www.joraga.net/gilvicente/pags/smartinho.htm#smLenda1

 

Imagem, prancha BD
André Cláudio - 1989 - Escola Secundária nº 2 (D. Manuel I) de Beja



 

Publicado por zeraga em 11/11/2009 às 18h07
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11/11/2009 17h43
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em especial em 2010
joraga/contos/Tradicao_Serpa
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Avó - contadora d'istórias...
 
... uma introdução... que pretende ser um apanhado das mil noites e uma... e da arte dos mil e um sábios Contadores de Histórias e de i/estórias… desde os considerados Analfabetos aos mais eruditos…
... tinha eu uma quantidade de sonhos a transformar em realidade com a varinha de condão, que uma fada madrinha me veio oferecer, quando, subitamente, como ninguém queria sonhos fantásticos e sonhos de encantar empacotados numa caixa que mais parecia uma máquina, um dia de Abril, a bruxa serpente lançou o seu mau olhado na minha caixa de magia donde saiam letras e fantasias de espantar... e assim ficaram, outra vez, só na cabeça daquele ceifeiro que segava erva para cavalos para assim poder sobreviver do produto da venda que os cavaleiros pagavam com uns míseros tostões...

... ao ver-me triste, a fada madrinha disse que iria pedir ajuda a uma outra fada sua amiga que tinha uma varinha de condão que ensinava os génios prisioneiros a saírem da sua lamparina mágica, para se porem ao serviço dos seus amos e para deleite e formação da turba, que gostava de Contos e Lendas de enC(o)ant(r)ar...


... levado, então, pelos conselhos e ajudas da fada madrinha e consultando os livros de Magia que ela tinha nos seus tesouros... fui de viagem até aos meus tempos de lendas e estórias e de contos de enC(o)ant(r)ar...


... e assim, parei nas primeira páginas das Mil Noites e Uma... para abrir as páginas incontáveis de todos os Sábios Contadores de patranhas e istórias… de contos e de lendas… que se vão cruzando no caminho, em livros publicados ou alfarrábios desaparecidos… e ouvindo as Bibliotecas Vivas dos incríveis Sábios que muitos tratam por analfabetos…


Ora então, aí vai... um, dois, três... era uma vez... e as portas de um mundo maravilhoso vão-se abrir... a partir de hoje, dia de São Martinho de 2009... aí vão...

"Conto acabado, dinheiro ganhado..."

 
Ver – Textos de apoio:
 
http://www.joraga.net/contos/pags/2TxArteCt.htm#TxArteMil
 


Publicado por zeraga em 11/11/2009 às 17h43
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